Por Dentro

 

A tristeza, o vazio, o nada,
O que preenche o meu ser agora,
A ausência do que eu não sei,
Uma angustiante falta de algo,
Ou quem sabe de alguém?
Isto que me preenche,
Esta estranha tristeza,
Sem causa nem cura,
Uma estranha amargura,
Que arranha a garganta,
E me destrói por dentro.
Este vazio inerente a meu ser,
Que desde sempre está a meu lado,
E não quer ser preenchido,
Que repulsa qualquer conteúdo,
E me preenche por inteiro.
O nada que sou,
Que me tornei e sempre serei,
Insensível, intragável, insípido,
Incapaz de fazer algo mais,
Obcecado pela beleza
E imutável por natureza.