Saboreando a Vida

 

Apenas sete mandamentos haverá
Com toda graça e justiça na terra
E seus ouvintes as saberão respeitar
Já que Gaia, nossa madame, desespera

Envolto das forças celestiais
Então o primeiro mandamento bradou:
Todo lixo lançado ao solo
voltará ao cu de quem lançou.

Mas virando-se para os casais
Deus em repugnância se enfureceu
Viu os filhos não dormirem em paz
Pois seu pai ao prazer da carne cedeu

Envolto das forças celestiais
Então o segundo mandamento bradou:
Todo pai ou mãe que ousar trair
Sua genitália murcha e dolorosa ficou.

Entretanto os pais reclamaram também
Da angústia da idade e do desrespeito
Viu os filhos muito discriminarem
E decidiu dar-lhes o justo direito

Envolto das forças celestiais
Então o terceiro mandamento bradou:
Dez anos de sua vida envelhecerá
Aquele que um idoso maltratou.

Mas não bastava, pois o homem matava
Por vingança, ódio, ciúmes, dinheiro
Então Deus em sua sabedoria pensava
Como salvar da barbárie o mundo inteiro?

Envolto das forças celestiais
Então o quarto mandamento bradou:
Aquele que matar por própria vontade
A alma, o espírito e o corpo definhou.

Então Deus viu que poucos tinha muito
E muitos tinham muito pouco, falou
"Isto é um absurdo!" Não parecia possível
Que muitos eram incapazes ele pensou.

Envolto das forças celestiais
Então o quinto mandamento bradou:
Não possuirá mais uma riqueza sequer
Aquele que da usura e do roubo abusou.

Olhando a beleza da natureza
De vastas florestas a uma flor só
Viu o desmatamento e a depredação
Os animais sendo mortos sem dó

Envolto das forças celestiais
Então o sexto mandamento bradou:
Tornará-se uma grandiosa árvore
Se depois de destruir, não compensou.

Satisfeito com seus mandamentos
O perceptivo Deus por fim observou
Que ainda permeava pela Terra
Conhecimentos que só destruição causou

Envolto das forças celestiais
Então o último mandamento bradou:
Estudiosos que sua ciência vendeu
Afetada por ela para sempre ficou.